A arte e a força feminina marcam o Julho das Pretas do SINASEFE-IFBA

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Na tarde da última sexta-feira (29/07), a Gestão Maria Felipa do SINASEFE-IFBA realizou o Julho das Pretas, que contou com a presença de cerca de 30 servidoras(es), no Auditório de Física do Campus.

A atividade foi iniciada com um discurso emocionante da coordenadora geral do SINASEFE-IFBA, Marlene Socorro, que compartilhou um pouco sobre a sua história de vida e também falou sobre a importância da iniciativa que reuniu 4 (quatro) artistas negras baianas que trazem em seus trabalhos aspectos fundamentais da cultura afro-brasileira.

Após este momento de apresentação do evento, foi exibido o documentário ‘Yabás: Mulheres do Bembé do Mercado’, da cineasta santamarense Laís Lima. O filme promove reflexões sobre as relações de gênero e o papel fundamental das mulheres para manutenção e realização do tradicional Bembé, o maior candomblé de rua do mundo, que acontece há 133 anos para celebrar o fim da escravidão e reforçar a resistência dos povos negros, na cidade de Santo Amaro da Purificação. Convidada para compor a mesa ao lado da escritora Ana Fátima; da também escritora e pedagoga do Campus Salvador, Celiana Maria dos Santos; e da cantora Dinha Dórea; Laís Lima falou sobre sua trajetória no cinema e da relação com a cultura da sua cidade. “Em 2018 fui convidada para participar da produção do filme responsável por salvaguardar o Bembé como Patrimônio Imaterial do Brasil, em 2019. Durante esse processo em que estive em contato com as pessoas que organizam a festa, pude constar a importância das mulheres que são autoridades dentro do Candomblé, e daí nasceu a ideia de realizar de forma independente o filme. Depois dele também rodei o documentário Bembé em Tempos de Pandemia, disponível no Youtube. Acredito que ainda vá trabalhar com ficção, mas acho que, através do documentário, posso contribuir muito para defesa e promoção da cultura da minha cidade”, conta a artista.

Nas águas de Yemanjá, as(os) servidoras(es) também puderam ouvir a história da escritora e pedagoga Celiana Maria dos Santos. A pedagoga compartilhou um pouco das suas vivências como mulher negra, a resistência da família ao candomblé, os caminhos que percorreu até a sua iniciação nessa religião, que desaguam na produção do livro ‘A Rainha do mar: Quem é Yemanjá no imaginário de pescadores do Rio Vermelho?’ Filha da mãe cujos filhos são peixes, a escritora faz um ode à cultura negra e um resgate ao aporte da civilização africana no Brasil, a partir da pesquisa sobre um ícone reconhecido em todo o território nacional, cuja negritude de sua origem continua relegada a segundo plano. “A representação de uma Yemanjá branca e em forma de sereia destoa diametralmente da imagem extraída por Pierre Verger nos antigos templos iorubás. Ou seja, o predomínio da cultura europeia segue fazendo escola, inclusive, sobre as religiões de matriz africana”, pontua a autora.

Pelo caminho da literatura também navega a ex-aluna de Celiana Maria dos Santos e Marlene Socorro, a escritora Ana Fátima, que despertou para a escrita aos 10 anos a partir de um comentário de uma professora que percebeu o seu talento. Por ouvir muito que escritor não é profissão, entrou no curso de Letras, onde descobriu autoras negras responsáveis por muitos horizontes promissores. “Durante o mestrado pude também estudar a invisibilização do povo negro em personas e ilustrações dos livros didáticos e paradidáticos. Os meus livros trazem uma outra perspectiva para a literatura das crianças negras”, explica a criadora da Editora Ereginga Educação e autora dos livros ‘As Tranças de Minha Mãe’, ‘Makeba Vai à Escola’, ‘Tunde e as Aves Misteriosas’.

O feminino e os ritmos afro-brasileiros marcam o trabalho da cantora Dinha Dórea. Durante o evento, a artista falou sobre a sua trajetória como cantora, dos trabalhos realizados com os grupos de samba, como o ABC do Samba, que homenageia as cantoras Alcione, Beth Carvalho e Clara Nunes, e o Samba Vai Kem Ké. “Atualmente, eu integro o Naipe de Vozes da Orquestra Afrosinfônica, do Maestro Ubiratan Marques, que desenvolve um trabalho jamais visto em nenhuma orquestra do mundo. Somos quatro cantoras que dão vozes às músicas que falam sobre a nossa música ancestral”, afirma a artista. Acompanhada do violonista Elinas, Dinha Dórea emocionou as(os) participantes interpretando canções do músico, de João Mendes, Gilberto Gil, João Donato, Gerônimo, Vevé Calazans, que fazem parte do seu show ‘O Que Me Atravessa’.

Vinda de uma família em que todas(os) trabalham com a venda de abará e acarajé, a baiana Aline Sátiro também falou sobre o seu orgulho em viver dos quitutes e convidou as(os) presentes para celebrar a realização do Julho das Pretas, experimentando das delícias do seu tabuleiro, reunindo alunos e servidoras(es) que dialogaram sobre a riqueza da iniciativa.

 

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