estudante cansada

Campus Barreiras: o pioneiro na reformulação curricular

jun 13 2017
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O IFBA Barreiras foi o primeiro campus a implantar a redução de quatro para três anos no ensino integrado. Os(as) servidores(as) e estudantes da unidade reclamam que a reforma curricular aconteceu de forma repentina e sem qualquer diálogo com a comunidade.

“Essa reforma pegou todos(as) de surpresa. Os(as) professores(as) e técnicos(as) souberam porque o DEPEN convocou uma reunião antes do fim do semestre/ano letivo anterior para informar aos/às servidores(as) sobre o assunto. No entanto, nós, alunos(as), soubemos em conversas de corredor, com um disse-me-disse desencontrado, cada um com uma informação diferente. Só tivemos certeza da reformulação quando começou o semestre/ano letivo seguinte”, explica o estudante do 4º ano de Edificações do IFBA Barreiras, Wendel Batista. Ele ressalta que a Instrução Normativa feita para a reforma diz que a sua construção foi baseada em oficinas realizadas em diversos campi, com participação dos(as) servidores(as), no entanto são diversas as queixas que relatam que, na época, o Instituto não informou que o objetivo era reformular o ensino dessa forma e a surpresa foi geral, tanto que a resolução foi aprovada em maio, poucas semanas antes de iniciar o ano letivo.

Na avaliação do professor de Matemática do IFBA Barreiras, Fábio Bordignon, a reformulação dos cursos do integrado foi implantada em 2016 no Campus de maneira bastante atropelada. O que era para ser um estudo de viabilidade virou um projeto e foi implementado mesmo com diversos problemas. “O IFBA Barreiras não tem refeitório, não tem condições de atender os(as) estudantes em período integral. Os(as) alunos(as) estão tendo sete aulas de 45 minutos todos os dias para tentar amenizar a situação, pois esta foi a forma encontrada pela gestão para colocar um curso de quatro anos em três, com aulas em apenas um turno, acarretando uma média de 14 disciplinas por ano. Fora que essa mudança não teve ampla discussão com os(as) estudantes e, após a implantação, tal reforma causou muita insatisfação entre os(as) docentes. O que temos visto são alunos(as) extremamente cansados(as), esgotados(as) na última unidade e com uma piora significativa no rendimento, principalmente no período final”, adverte Bordignon.

Para o docente, a reformulação deveria ser em turno integral. Ele ainda destaca que o IFBA, ao oferecer o técnico integrado em quatro anos, faz uma “maquiagem”, pois são colocados(as) mais alunos(as) em uma estrutura que não tem condições de comportar e garantir uma formação integral, que contemple plenamente a formação técnica e a formação propedêutica, fomentando um modelo excludente que leva à evasão”.

Mudança

O estudante Wendel Batista diz que os(as) alunos(as) do campus, assim como em outras unidades, desejam muito que o Ensino Médio Integrado seja repensado, mas acreditam que isso não deve ocorrer de forma vertical. “Aqui em Barreiras, isso é muito controverso, mas é consenso entre todos(as) os(as) alunos(as), tanto os(as) veteranos(as) quanto os(as) que repetiram e pegaram as duas grades, que caiu muito o nível das matérias propedêuticas e das técnicas. Muitos assuntos que são do Ensino Médio simplesmente foram cortados da nova ementa, assim como algumas matérias – que até então tinham abordagens e propostas diferentes – foram aglutinadas (ou pelo menos tentaram, criando um Frankenstein). Historicamente, o Ensino Médio Integrado oferecido pela instituição era visto como referência na região, hoje isso diminuiu drasticamente. Todos(as) os(as) alunos(as) da nova ementa já sabem que, se quiserem passar em uma universidade, têm que pagar cursinho pré-vestibular”, afirma o estudante.

Ele complementa que muitos(as) alunos(as) ainda necessitam ir ao IFBA, em turno oposto, para uma atividade chamada “PPA”. “Devem vir, pelo menos, nove horas semanais em turno oposto. No entanto, o campus não tem estrutura para garantir que os(as) estudantes, principalmente os(as) que moram em locais mais distantes, consigam permanecer o dia todo. Almoçar aqui custa caro, R$ 8 reais, agora imagine isso vários dias por semana!”, reclama Batista.

 

Imagem: Reprodução

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