Leitura da carta – CONSUP

Coletivo de Mulheres do IFBA consegue a revogação da portaria de fardamento

maio 26 2017
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Um dos destaques da 2ª Reunião Ordinária do CONSUP, realizada ontem (25) na Reitoria, foi a leitura de uma carta de repúdio à recente portaria de fardamento do Instituto (N° 980, de 27 de abril de 2017). A carta, produzida pelo Coletivo de Mulheres do IFBA, destaca que, sob a justificativa de disciplinar o uso de fardamento e/ou vestuários adequados pelos(as) discentes nos campi, por questões de segurança e respeito à dignidade das pessoas e da instituição, a Portaria evidencia a manutenção da desigualdade na relação de forças.

Para o Coletivo, “o reitor, diante de mais uma situação de conflito de interesses, crê que dispõe de prerrogativas hierárquicas suficientes para instituir uma norma univocamente, ignorando não apenas o papel do Conselho Superior e das instâncias de representação das categorias que compõem o instituto, mas também a própria pluralidade de fatores (socioeconômicos, culturais e até mesmo identitários), verificáveis no cotidiano escolar e que servem de base ao entendimento da maneira como os(as) estudantes vêm trajados à escola”.

Diante do erro inquestionável por parte da gestão, o reitor Renato Anunciação voltou atrás e garantiu que irá revogar a portaria ainda hoje (26). Ele afirmou que assinou o documento sem ler e que nele não constava nenhuma contribuição sua. O gestor também imputou a portaria a “vários diretores” que solicitaram a produção e divulgação da mesma. Depois dessas alegações, surgiram as dúvidas: Como pode um reitor assinar um documento sem lê-lo? Onde está a sua responsabilidade? Esse jogo de empurra, colocando a culpa em seus aliados, vai ser utilizado como estratégia até quando?

A única certeza é que a revogação é fruto da luta das mulheres, que não admitiram que uma decisão tão importante fosse tomada sem qualquer análise profunda e debate com a comunidade do Instituto. “A discussão e regulamentação de um tema como este não pode ser feita de forma isolada sem considerar os documentos institucionais e a legislação que devem nortear toda e qualquer prática pedagógica na nossa instituição. (…) Como poderemos desconsiderar a pluralidade da nossa comunidade, sobretudo em se tratando do corpo discente, numa instituição que se compromete a formar cidadãs e cidadãos críticos? Como desconsiderá-los e ainda assim se propor a formá-los criticamente? Pode uma instituição integrar desintegrando? De que se beneficiaria o Instituto Federal ao priorizar normativas de fardamento escolar? O que se espera destas medidas? Não sabemos. E toda esta nebulosidade sugere um alerta: partindo de uma combinação bizarra entre moralismo e autoritarismo, a Reitoria deste Instituto publicou uma portaria que não dispõe apenas sobre o fardamento, ela dispõe sobre os corpos de meninos e meninas. Os artigos 2º e 5º são, particularmente, incômodos, haja vista a cultura do estupro tão presente na realidade brasileira e que apresenta a lamentável tendência de responsabilizar a vítima pelo assédio sexual perpetrado tantas vezes por pessoas muito próximas”, aponta o documento.

Confira a leitura da carta no CONSUP: https://www.facebook.com/normandolima.junior.1/videos/10212093032428306/

 

Imagem e vídeo: Reprodução

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