encontro mulheres negras no ifba

Coordenadora do SINASEFE-IFBA participa de seminário sobre mulheres negras no Instituto

set 19 2017
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A professora do Campus Jacobina e coordenadora de Políticas Educacionais do SINASEFE-IFBA, Rosângela Castro, participou, na última sexta-feira (15), do 2º Seminário de Mulheres Negras do IFBA. Organizado pelo coletivo de professoras negras do Instituto, o evento foi realizado no auditório da Reitoria, em Salvador. Além de debates, a atividade, que teve apoio do Sindicato, contou com a exibição de episódios do documentário “Travessias Negras” e com sarau de poesias.

O seminário, cujo tema foi “a atualidade do pensamento de mulheres negras, atravessando gerações”, teve como convidadas para a mesa de abertura as professoras Rosângela, Celiana Maria e Norma Souza, as duas últimas do Campus Salvador. A mediação ficou a cargo da também docente Dayse Sacramento.

Para Rosângela, o mundo do IFBA não só são flores, também é repleto de espinhos. Para ilustrar alguns dos sérios problemas do instituto, ela apresentou casos de terceirizadas negras que sofreram assédio e receberam tratamentos diferenciados dos homens que as assediaram (a maioria ocupando cargos de chefia). Enquanto as terceirizadas foram demitidas sumariamente, sem direito a contar o seu lado da história e sofrendo o constrangimento de serem expostas à comunidade, a maioria dos homens envolvidos nos casos sequer receberam punições, somente um servidor foi afastado por 15 dias.

Rosângela Castro“As terceirizadas do IFBA formam um conjunto de mulheres que tem ajudado a construir o instituto, tanto quanto as docentes, TAEs e estudantes. No entanto, é uma categoria extremamente sem voz, mais sujeita a todos os tipos de opressão. Constituída, em sua maioria, por mulheres negras, pouco escolarizadas, as terceirizadas recebem um mínimo salário e são hipersexualizadas. É uma realidade muito dura e os relatos do que elas passam diariamente são muito perturbadores e revoltantes. É preciso que todas as docentes, TAEs e estudantes se solidarizem com essa categoria tão fragilizada, ajude-a na luta, pois os casos de assédio transformam em ato uma dinâmica muito perversa: a associação do machismo e do racismo”, avalia a coordenadora.

Já a professora de Matemática Norma Souza abordou a importância da representatividade das mulheres negras em todos os espaços da sociedade. A pedagoga Celiana Maria destacou a necessidade urgente do instituto trocar o modelo de educação que oferece, “escravocrata, eurocentrado e civilizatório, imposto pelo cabresto e pelo açoite”. Ela acredita que, enquanto as mulheres negras continuarem a aceitar essa imposição, o racismo, o preconceito e o desconhecimento continuarão a ser reproduzidos no instituto e na sociedade como um todo.

A professora de História Manuela Nascimento, que organizou o seminário com as também docentes Dayse Sacramento, Marcilene Garcia e Deise Viana, afirmou que discutir o legado de mulheres negras e suas importantes contribuições para a nossa formação e emancipação é sempre uma necessidade em uma instituição de ensino público e que pretende ser de qualidade. “Pautar gênero, raça e classe, se referenciando em autoras negras que tiveram uma trajetória de luta incessante contra as desigualdades, é um dever de educadoras e educadores que buscam formar para o mundo e sua sociedade diversa e complexa. O evento, que teve a sua segunda edição este ano, contou com as presenças e falas poderosas de mulheres negras que nos ajudam a seguir em frente e no combate. O nosso objetivo foi fazer com que possamos entender, de uma vez por todas, que o racismo e o machismo são estruturantes dessa sociedade burguesa, capitalista, hierarquizada e que, sem compreender os meandros dessas estruturas, toda iniciativa ‘bem intencionada’ estará fadada ao fracasso. Não irão a lugar algum sem nós!”, protesta Manuela.

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