citação sindicância

Direção do IFBA Salvador tenta amedrontar docentes com sindicância acusatória

abr 06 2017
(0) Comentários
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Mais de 60 docentes do Campus Salvador foram acionados, através de uma sindicância acusatória, pela Direção da unidade por não lançarem as notas da 2ª unidade no SICAD até a data estipulada pela Diretoria de Ensino (DE). No entanto, a gestão não se atentou que os(as) professores(as) ficaram impossibilitados de fazer o lançamento, pois o IFBA estava em greve e o Campus ocupado. Outro erro grave foi que a Direção pulou etapas e não advertiu verbalmente os(as) servidores(as) antes de abrir a sindicância.

“Essa sindicância pode manchar meu dossiê na instituição com um Processo Administrativo, sem ao menos eu ter sido chamado à atenção verbalmente ou questionado sobre o motivo do descumprimento da citada ação, pelo meu chefe imediato ou até mesmo pela DE. Eu me sinto insultado, como se não fosse um profissional comprometido com minhas obrigações e com meus alunos, e profundamente violentado, sem ter tido chance prévia de defesa – sem direito de usufruir de meus direitos enquanto servidor, com uma ação desta natureza e nesta proporção. A DE nem me deu a chance de dizer o porque do atraso”, revela o professor de Química do Campus Salvador, Luis Alexandre Freitas.

Na opinião da professora de História, Manuela Santana, que também foi incluída na sindicância, é lamentável que uma instituição de ensino, que deveria prezar pelo diálogo e respeito a seus/suas profissionais da Educação, adote uma postura de perseguição e punição a seus/suas servidores(as). “Como professora substituta, acredito que essa é uma postura bastante incoerente para um espaço educacional e cria uma atmosfera policialesca e constrangedora em um ambiente de trabalho”, avalia Manuela. Ela lembra que o retorno do ano letivo no IFBA em 2017, pós-ocupação, foi bastante conturbado e o Departamento de História estava sem chefia. Além disso, ela nem chegou a receber as notificações sobre os prazos finais para o lançamento de notas.

Pego também de surpresa, o professor Freitas conta que não teve a chance de explicar que foi a um Congresso entre os dias 06 e 11 de novembro do ano passado, liberado e autorizado pelo IFBA, e que, ao retornar, à Escola já estava ocupada pelos(as) alunos(as) e, por esse motivo, não aplicou as avaliações de recuperação da unidade. “No final da ocupação e no retorno às aulas, a própria DE orientou que os professores fizessem revisões dos conteúdos durante os quinze dias iniciais para só então fazerem as avaliações. Diante dessa determinação e respeitando a demanda de avaliações das turmas em outras disciplinas, tive que postergar mais uma semana a avaliação de recuperação das minhas turmas. Saliento que as avaliações de recuperação são feitas no turno oposto e que as turmas, na terceira semana após o reinício das atividades, estavam demasiadamente ‘atoladas’ com tarefas de outras disciplinas, que marcaram atividades antes de mim. Só deixei para lançar as notas no final, após a recuperação, porque o SICAD não faz distinção entre as notas parciais e finais. Só lançamos uma única nota por aluno”, explica Freitas.

Ele ressalta que nenhum(a) aluno(a) foi prejudicado(a) pela falta das notas no sistema, pois todas as atividades parciais e finais foram entregues durante o processo ensino/aprendizagem e corrigidas em sala, de modo que todos(as) os(as) estudantes sabiam sempre suas notas. “A segunda unidade foi tão atípica que nem o conselho diagnóstico desta unidade, que é uma obrigação regimental, foi realizada. A DG e a DE deveriam estar mais preocupadas em o que fazer com as turmas que estão ou que ficaram grandes períodos sem professor, como a 9811, que assumi recentemente sem ter tido aula de Química durante toda a terceira unidade”, acrescenta.

A professora Manuela alega que existem outros(as) colegas que estão sendo alvo da comissão de sindicância pelas mais diversas razões, a exemplo de docentes que não estavam cadastrados do sistema; de alguns/algumas que sequer ministravam aulas nas turmas em que estão sendo acusados(as); de professores(as) que não conseguiram postar notas de uma única turma por conta de problemas de funcionamento que o portal apresenta (fica fora do ar ou não salva as notas), mas apresentaram as notas da turma na Diretoria de Ensino, imediatamente após o fim do prazo regimental e, ainda assim, estão na sindicância. “São professoras e professores que têm um profundo zelo e compromisso com os(as) estudantes e a instituição e que estão sendo acusados(as) de maneira extremamente desrespeitosa”, destaca a docente.

Para Freitas, o objetivo desta “ação precipitada e injusta” é punir os(as) atrasados(as), como se o processo ensino/aprendizagem pudesse ser confundido com uma linha de produção industrial, em que uma determinada meta tivesse que ser alcançada naquela data determinada. “Pretendo brigar com as armas legais possíveis para reaver os meus direito furtados. Não quero manchas indevidas em meu dossiê funcional, nem privilégios. Só quero poder exercer minhas atividades com os ônus e os bônus garantidos à minha função por direito”, garante o docente.

O SINASEFE-IFBA é contra qualquer tipo de perseguição e está com a sua Assessoria Jurídica disponível para atender os(as) docentes envolvidos(as) na sindicância. “É uma situação revoltante e desrespeitosa, que atingiu vários(as) docentes de reputação ilibada, inclusive chefes de departamentos e de coordenações, que, pelo fato de não conseguirem registrar as notas em uma unidade confusa como foi essa segunda, estão ameaçados(as) de responder a um PAD. Assim, mais uma vez, Albertino se iguala ao reitor do Instituto”, avisa o coordenador da Assessoria Jurídica do SINASEFE-IFBA, Georges Rocha.

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário

FORTALEÇA A LUTA DA CATEGORIA

Filie-se e conheça as nossas vantagens