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Modernidade: Sociedade e Mídia, evento no IFBA – Campus Salvador mobiliza a comunidade a pensar o Brasil contemporâneo

jun 13 2022
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O Departamento de Filosofia do IFBA – Campus Salvador, em parceria com o SINASEFE-IFBA, realizou nos dias 06 e 07/06/22, no Salão Nobre do campus, o evento “Modernidade: sociedade e mídia”. No primeiro dia, a plateia, repleta de estudantes do ensino médio integrado, lotou o espaço para assistir ao documentário “De olhos abertos”, da diretora francesa Charlotte Dafol, radicada em Porto alegre faz 10 anos. O filme retrata o cotidiano de moradoras(es) de rua dessa cidade e sua vivência em torno do jornal “Boca de Rua”, produzido por eles com a coordenação da jornalista Rosina Duarte.  A vida nas ruas com suas fissuras deixam marcas, na maioria das vezes, irremovíveis nos corpos, corações e mentes das(os) moradoras(es). E o jornal surge como a Boca que dá voz às/aos protagonistas do documentário e a suas mazelas: a ausência de políticas públicas, a violência contra seus corpos, a perda dos poucos bens materiais – a vida sofrida, captada com realismo e lirismo pelas lentes da cineasta.

Depois da projeção do documentário, formou-se a mesa de debates para a conversa aberta com a diretora (@chadafol), via Google Meet direto de Porto Alegre; o idealizador da Revista Aurora da Rua (antigo Jornal Aurora da Rua), o monge Henrique Peregrino, da Comunidade da Trindade; os vendedores da Revista Aurora da Rua, Matias e Clóvis; o professor de língua portuguesa, José Gomes Filho, autor de uma tese sobre o projeto da revista; e as professoras Fátima Santiago e Maria Saievicz, na mediação da conversa, docentes efetivas do IFBA-SSA.

A professora Maria, do Departamento de Filosofia, fez a abertura do evento, agradecendo o apoio da instituição e do sindicato. Destacou a  necessidade de compreendermos a modernidade e o papel da mídia alternativa na construção de uma sociedade mais justa e igualitária e a importância de se evidenciar o descaso do governo tanto com a educação como com a questão das(os) moradoras(es) de ruas, questões de gravíssima importância e urgência. As(os) convidadas(os) foram solicitadas(os) a compor a mesa e deu-se o inicio da conversa. A professora Fátima, do Departamento Acadêmico de Língua Vernácula, agradeceu às/aos convidadas(os) pela presença e ao SINASEFE-IFBA pelo apoio técnico e financeiro e ressaltou que o evento era uma atividade de mobilização em defesa da educação pública inclusiva, humanística e de qualidade. Para ela, não basta formar técnicas(os) competentes, mas é necessário e urgente educar pessoas capazes de praticar a solidariedade e a empatia com o próximo.  Nesse caso, a população de rua que, a cada dia, tem crescido nesse país da desigualdade; cidadã(os) ignoradas(os) pelo estado e, muitas vezes, invisibilizadas(os) por nós.

Em seguida a diretora do documentário respondeu as perguntas sobre as dificuldades encontradas na produção independente do filme e a relação com as(os) participantes. Nesse momento, o morador da Trindade, Matias, comoveu a plateia presente ao dizer  o poema que escreveu definindo as(os) moradoras(es) de rua (Da rua com amor/Os nossos irmãos/Deitados no chão/No meio da escuridão/Em cima de uma papelão…). O monge Henrique Peregrino iniciou sua fala contando sua trajetória de morador de rua em Salvador e outras cidades do Brasil e a história de surgimento da Comunidade da Trindade. Em seguida apresentou a Revista Aurora da Rua, que é produzida com a coordenação da jornalista e editora Vanessa Ive. O monge ressaltou que esse periódico trouxe dignidade às/aos moradoras(es) de rua que trabalham vendendo a revista. Ressaltou ainda que eles, na Comunidade da Trindade, são vistas(os) como filhas(os) de Deus e que todos merecem acolhimento e tratamento afetuoso.

Já o professor José Gomes apresentou a sua tese de doutorado intitulada “Identidade, discurso e poder do morador de rua: construção de uma utopia através do jornal Aurora da Rua”. A tese analisa a construção da subjetividade e da identidade no discurso dos indivíduos em situação de rua que residem na Comunidade da Trindade, em Salvador. Segundo o autor, há diferenças significativas entre a produção do Aurora  da Rua e o  jornal Boca da Rua. O Aurora  não conta com o apoio de uma ONG, sendo uma produção independente, e suas matérias são sobre a vida dos moradores de rua. Assim, o estudo identifica as semelhanças  entre os dois jornais, a partir de categorias como língua, discurso, cultura e mídia alternativa, mas também assinala as singularidades, frente a outros jornais de rua. O vendedor do Aurora da Rua, Clóvis, também emocionou a plateia com o seu depoimento sobre como chegou às ruas e conseguiu sair delas transformado para melhor.

A atividade contou com muitas perguntas das(os) estudantes e com um público em torno de 250 pessoas que, no espaço de tempo  entre a projeção do documentária e a conversa aberta, pôde lanchar no foyer do Salão. Cremos, pela reação da plateia, que o principal objetivo esperado pelas organizadoras desse encontro foi atingido, isto é, a sensibilização das(os) jovens e a quebra do preconceito contra as pessoas em situação de rua, cidadãs e cidadãos que também têm sonhos e contribuem com a transformação do nosso país.

No segundo dia de atividades, o evento trouxe a público um debate filosófico sobre os conceitos de modernidade a partir de uma abordagem sobre a semana de arte moderna e sobre o cinema marginal. O professor Rodrigo Ornelas, doutor em Filosofia, apresentou a palestra “Necessidade da vacina  antropofágica: entre 22 e 22” na qual tratou de aspectos importantes sobre  questões e periodizações implicadas na modernidade brasileira e esclareceu o sentido antropofágico do Manifesto de Osvaldo Andrade. A palestra de professor Rodrigo Araújo, igualmente doutor em filosofia, professor do IFBA-Simões Filho, com o título “Matou a família e foi ao cinema e uma certa modernidade”, trouxe à publico uma brilhante exposição sobre o cinema marginal e seus enfrentamentos, tanto da realidade sócio- política brasileira, como da própria produção cinematográfica no Brasil. A partir de sínteses perspicazes sobre a obra do cineasta carioca Bressane, filme de 1969, o palestra articulou questões críticas acerca de uma certa modernidade da política e do cinema brasileiro. No debate se destacaram a presença e as perguntas  dos docentes do IFBA-SSA dos departamentos de geografia, letras e matemática, que contribuíram no aprofundamento da exposição e na promoção do diálogo acerca do assunto “Modernidade: mídia e sociedade”. A mediação foi feita pela professora Maria Saievicz.

A semana do evento ainda contou com a retomada do projeto “Cinema no Campus”, projeto desenvolvido pelo docente Jeudy Aragão, também do Departamento de Filosofia, com quatro sessões de exibição do filme “Fahrenheint 151” (produção de 2018). O filme, uma ficção sobre uma sociedade distópica onde os bombeiros são responsáveis pela incineração dos livros e de todo tipo de material impresso, traz uma discussão pertinente sobre a dominação da tecnologia versus destruição do conhecimento. O filme é  uma adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ray Bradbury de 1953.

 

Dia 6/06

Dia 7/06

 

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