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O oposto de Casa Grande não é senzala, é Quilombo!

fev 07 2019
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No final do ano passado, o SINASEFE-IFBA realizou a 2ª edição do Novembro Negropromoveu um valioso debate sobre a importância da cultura afro-brasileira e da luta contra o racismo, através do edital que contemplou os campi de Feira de Santana, Juazeiro e Santo Amaro da Purificação. Além disso, foi realizado também o evento Novembro Negro – Ano Moa do Katendê, no dia 29 de novembro, na sede do sindicato, no bairro do Barbalho, em Salvador. 

O evento, que teve um retorno positivo de seus/suas filiados(as), se apropriou de diversas manifestações artísticas para homenagear o multiartista baiano Mestre Moa do Katendê – cruelmente assassinato após discussão política no primeiro turno das eleições presidenciais.

A gestão Resistência e Luta (2017-2019) espera que tanto o Edital Novembro Negro quanto o evento na sede do SINASEFE-IFBA para comemorar o Novembro Negro se tornem uma tradição no calendário de políticas afirmativas da nossa seção sindical, assim como vem acontecendo nestes dois anos, com consistência e amplitude fundamentais na luta contra a opressão racial.

FEIRA DE SANTANA

 

Entre os dias 22 e 24 de novembro, o Campus Feira de Santana realizou o VI Novembro Negro do IFBA, nesta edição com o tema Aquilombando o IFBA: Estado, Políticas Afirmativas e Resistências Negras.

De acordo com a professora de sociologia e proponente do projeto, Waneska Cunha, o objetivo principal foi analisar a implementação de políticas afirmativas como as cotas nas Universidades e Institutos Federais e sua relação com o Estado e a resistência negra no que tange a luta antirracista no Brasil. “A negação dos direitos humanos à população negra e a promoção de medidas por parte de setores do Estado e da sociedade que estimulam a exclusão e discriminação racial também foram discutidos. Aquilombar o IFBA significa demonstrar como a luta antirracista promove uma sociedade mais justa e digna em que todos(as) tenham os seus direitos assegurados”, explica a professora.

Abertura do evento aconteceu com a mesa redonda Estado, políticas afirmativas e resistência negra que contou com a presença da defensora pública do Estado da Bahia, Vilma Mª dos Santos Reis, o vereador de Salvador, fundador do Instituto Cultural Steve Biko e professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Silvio Humberto, e da representante do Quilombo Rio dos Macacos, Rosimeire dos Santos Silva. Ainda na quinta-feira (22), tiveram a apresentação cultural do Reisado da Lagoa Grande e as seguintes oficinas:

Desenho – Traços de beleza com o Grupo de Desenho Artístico;

Empoderamento crespo: uma pedagogia de emancipação com Naira Gomes;

Estética negra e empoderamento do cabelo crespo com as bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) do curso de história da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Rana Pessoa e Thainá Alves;

Territorialidade com o professor de geografia do Campus de Vitória da Conquista, Gleidson Sena;

Alimentação e cultura com Quilombo da Lagoa Grande;

Percussão com Zé das Congas e grupo;

Sound System com Roça Sound;

o samba de roda do grupo Quixabeira da Matinha;

Plantas medicinais com o Grupo de Estudos em Agroecologia da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia;

Pedagogia de terreiro com a representante do grupo Teia dos Povos, Tata Sobodé;

Sementes crioulas com Grupo de Estudos em Agroecologia da UFRB;

Automaquiagem com Maria Vitória (IFBA);

Meu cabelo, minha identidade: educação das relações étnicos-raciais e o ensino de química com Marcelo Alves de Lima Júnior (UEFS).

Durante a noite foi realizada a mesa redonda Direitos humanos em xeque: o extermínio da população negra com o professor de história do Campus Salvador, Alex de Souza Ivo, e a professora de língua portuguesa do Campus Seabra, Ana Carla Lima Portela.

Na sexta-feira (23), a atividade foi iniciada com a mesa redonda Currículo e questão racial: considerações sobre as Leis n° 11.645/2008 e 10.639/03 com o professor de geografia do IFBA Campus Salvador, Joilson Cruz da Silva, a professora de sociologia do Campus Salvador, Marcilene Garcia, e o professor de história da UEFS, Carlos Francisco da Silva Jr. Durante a tarde foram realizadas algumas apresentação culturais com declamação do poema Me chamaram de negra com a bolsista do PIBID do curso de letras com espanhol, Victoria Santa Cruz; apresentações das turmas do integrado: 3° ano edificações e eletrotécnica; 2° ano eletrotécnica turma 3; 2°ano de edificações turma 2 com os temas:

Resistência e intelectualidade negra no Brasil e nas Américas;

Pan africanismo, descolonização e movimentos sociais;

O samba de roda de Matinha dos Pretos;

Cinema Negro em debate.

No sábado(24), último dia do evento, a abertura contou com a ilustre participação cantador e arte educador Maviael Melo; apresentações das turmas do integrado: 1° ano de edificações e eletrotécnica; 2° ano edificações turma 1; 2° ano  eletrotécnica turma 1 e 2 com os temas:Quilombos e resistência negra no Brasil Resistência e intelectualidade negra no Brasil e nas Américas. 

SANTO AMARO DA PURIFICAÇÃO 

 

O Novembro Negro do Campus de Santo Amaro da Purificação foi realizado no dia 21 de novembro, no Teatro Dona Canô. O evento, que contou com a participação da comunidade do IFBA (estudantes e pais), estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e das escolas estaduais da cidade, teve a exibição e debate sobre o filme Café com Canela, dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio, e a apresentação e debate da peça teatral Escola Paraíso #SQN, resultado do projeto de extensão Caleidoscópio Jovem, com coordenação e direção da professora de sociologia e proponente da iniciativa, Soraia Brito.

O longa-metragem Café com Canela, produzido nas cidades de São Félix e Cachoeira, traz um elenco negro, referências às religiões afro-brasileiras e o cotidiano popular interiorano a partir  do reencontro das personagens Margarida e Violeta e um processo de transformação se que desdobra para ambas – a primeira, isolada pela dor da perda do filho; a segunda, entre as adversidades do dia a dia e traumas do passado. Já a peça teatral Puro Amor propõe uma reflexão sobre como o Institutos Federais estão formatados para um modelo de estudante e que em muitos momentos excluem aqueles que não estão dentro dos padrões. O espetáculo discute a importância das redes de apoio, do fortalecimento da identidade e dos coletivos no enfrentamento aos casos de assédio, racismo, homofobia, bullying, machismo e a depressão.

De acordo com a professora de sociologia e proponente do projeto, Soraia Brito, foi um momento muito especial para todos(as), pela primeira vez em um evento promovido pelo campus, os(as) estudantes ficaram sentados(as), atentos(as) e silenciosos(as) do início ao fim. “Foi muito emocionante. Através do trabalho que foi continuado em sala de aula pudemos identificar outros pontos de problematização e o ponto central que é a representatividade. Precisamos desenvolver e fortalecer esta questão no nosso campus e no IFBA como um todo”, refletiu a professora.

JUAZEIRO 

 

Em seu segundo ano consecutivo, com apoio do SINASEFE-IFBA, o Seminário DandaraZumbi foi realizado entre os dias 26 e 28 de novembro, no Campus Juazeiro. A iniciativa, idealizado pela professora Ivana Freitas, em 2017, reuniu diversas manifestações artísticas e intensos debates sobre a história e militância do povo negro no Brasil.

A abertura do evento contou com a exposição fotográfica Enegre(Ser), da servidora Andreia Luciana Macêdo, que capturou através das suas lentes a beleza de estudantes, servidores(as) e terceirizados(as) negros(as) do campus. Além disso, foram realizadas as rodas de conversas: Resistência e empoderamento do povo negro, com o Professor e Vereador Gilmar Santos e com o Grupo de RAP 3 da Matina; Identidades Resistentes, com a poetisa Ruthe Maciel, o músico Maércio José (Projeto Tio Zé Bá) e o professor Dr. Cláudio de Almeida, do colegiado de Ciências Sociais da UNIVASF; Movimentos negros: lutas, conquistas e perspectivas de resistência, com a participação do vice-presidente da UNEGRO, Ramon Raniere Braz; da diretora de políticas para a diversidade, Luana Rodrigues; e da pedagoga, mestranda em educação, ativista e feminista negra membra da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Viviane Costa Santos; A questão quilombola, com o bacharel em ciências sociais, mestre em extensão rural e militante dos Movimentos Antirracistas do Vale, Danilo Moreira, e a professora Dra. da UNEB e presidenta do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (COMPIR), Marcia Guena; Empoderamento do homem negro, com os professores do campus, Altair Paim, Everaldo Gonçalves e André Costa; O legado das religiões de matriz africana e a defesa do seu solo sagrado contra a intolerância religiosa, com a Yalorixá Adelaide Santos, do terreiro Ilê Abasy de Oiá Gnan, e o professor, mestre em educação e pesquisador da religiosidade afrodescendente, Antônio Carvalho.

Os estudantes e a categoria puderam participar também das oficinas:

Identidade crespa, com a professora do Campus Juazeiro, Eline Souza da Silva, e as cabeleireiras Nadja Magna e Dayane Oliveira;

Práticas teatrais e as questões políticas e sociais para negros e negras, com o professor da UNEB do Campus Senhor do Bonfim, Carlos Alberto Ferreira;

Oficina de Fotografia com Celular , intitulada Empoderamento é resistência com a professora do Campus Juazeiro, Andreia Luciana Macedo;

CineConversa com a exibição do filme ‘Felicidade por um fio’ com roda de conversa sobre Empoderamento crespo: autoestima e aceitação com as estudantes dos cursos de administração, Liz Emanuelle Nonato e Manuela Ferreira da Conceição, do técnico de segurança do trabalho, Júlia Rafaella Ribeiro, e de ciências sociais, Bianca Santana.

De acordo com o professor de administração e técnico de segurança do trabalho, Altair Paim, os(as) estudantes realizaram uma apresentação especial. “Tivemos duas apresentações musicais: Canto da nossa raça com Aianne Rocha, Elen Raabe de Oliveira Rozeno, Fernanda Sanchez da Cunha, Júlio Cesar Silva Carvalho, Laiane Augusta Alves dos Santos Soeiro e Lara Sibele Lacerda Lemos, e a segunda com Andressa Silva e Nívia Batista”, contou o professor.

A gestão Resistência e Luta (2017-2019) deixa para a história do SINASEFE-IFBA a marca de uma concepção política que norteia as nossas ações antiracistas:

O oposto de Casa Grande não é senzala, é Quilombo!

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