ocupa ifba porto seguro

Ocupação no Campus Porto Seguro se encerra, mas a luta continua

dez 19 2016
(0) Comentários
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Iniciada no dia 23 de novembro, a ocupação estudantil no Campus Porto Seguro se encerrou ontem (18). O movimento, que enfrentou perseguições de órgãos que deveriam protegê-lo, mostrou que é possível resistir. Lutou, por quase um mês, contra a PEC 55, a Reforma do Ensino Médio e por pautas locais, como a contratação de professores, melhorias na estrutura da escola e a regulamentação da alimentação para todo(a)s.

SINASEFE-IFBA – Como a ocupação foi realizada?
Estudantes do Campus Porto Seguro – Todas as decisões relacionadas ao corpo estudantil são tomadas por assembleia geral dos estudantes. A ocupação não poderia ser diferente: o corpo estudantil convocou para uma reunião extraordinária, a fim de discutir a possibilidade de uma ocupação. Houve a votação e, em conjunto, construíram as regras, as brigadas, e todas as ferramentas que utilizaríamos para manter a ocupação segura, organizada e prazerosa para todos. Os estudantes estavam envolvidos em todos os processos de gerenciamento e criação de atividades da ocupação, eles sugeriram, deram ideias e construíram em conjunto as nossas atividades.

A ocupação que contou com a participação do grêmio Vozes em Movimento (V.E.M.) tinha uma duração de uma semana. Após esse prazo, foi feita uma nova votação para saber se a ocupação continuaria ou não e os votos a favor da ocupação ganharam, dando continuidade ao movimento. Por problemas com alguns órgãos, como o Conselho Tutelar e a Polícia Federal, onde o presidente do Vozes em Movimento e a sua vice foram responsabilizados pela ocupação e, com os demais componentes correndo o sério risco de serem processados, o grêmio viu que era necessário se afastar temporariamente. Então, uma nova fase da ocupação se iniciou no dia 01/12/16, a qual não teve mais a participação do grêmio, contando com os alunos como um todo e o movimento estudantil à frente da ocupação.

S.I – Qual o objetivo da ocupação?
E.C.P.S – O ato de ocupar é um dos mecanismos que os estudantes, friamente limitados à participação na política, encontraram para demonstrar descontentamento, protestar, e dar voz para nossas reinvindicações. A pauta da nossa ocupação não se restringiu às pautas políticas, mas estava também relacionada às pautas do próprio movimento estudantil local, a exemplo da constante cobrança de melhorias na estrutura da escola, a regulamentação da alimentação para todos e a falta de professores. Em um âmbito nacional: a indignação contra a PEC 55, MPV 246/2016 e as PLS 193/2016, que irão desestabilizar e inviabilizar a Educação e a Saúde para todos, sendo propostas inconstitucionais e um atentado contra a população brasileira.

S.I – Qual a importância da participação do Campus de vocês nas ocupações?
E.C.P.S – É importante que os estudantes estejam unidos para que possamos ter mais força e voz. Cada escola ocupada representou a indignação de milhares de estudantes. Nosso campus espera que o movimento de ocupações tenham trazido frutos positivos para o campo da Educação e que nossas reinvindicações sejam ouvidas. É importante que os estudantes demonstrarem solidariedade para com esta luta. Estamos unidos com todas as escolas que estavam/ estão ocupadas e temos certeza que elas também estão unidas conosco!

S.I – Quais atividades foram realizadas durante a ocupação?
E.C.P.S – Os ocupantes tomaram o cuidado de montar uma programação educativa, com atividades importantes para formação crítico-cidadã, debates, oficinas e palestras. Nossa agenda de ocupação estava sempre lotada e foi altamente procurada para inserção de mais contribuintes para a realização das atividades. Recebemos doutores, mestres e importantes personalidades locais que participaram da ocupação.

ocupa-ifba-porto seguro-1

S.I – O que foi permitido durante a ocupação?
E.C.P.S – Nós dividimos comissões para deixar tudo mais organizado, tivemos comissões de saúde, alimentação, segurança, limpeza e mídia. Foi feito um controle na portaria, onde quem entra assina o nome e horário e isso se repete na saída, o horário para visitantes (comunidade fora do IFBA) é limitado. Oferecemos aulões, oficinas e rodas de conversas e muitas dessas atividades foram oferecidas por professores que apoiaram a causa.

S.I – Vocês receberam doações?
E.C.P.S – Recebemos doações, contamos com a ajuda de alguns professores, que estavam com a gente para o que precisássemos e isso foi muito importante. Recebemos doações de alimentos e de produto de limpeza. A única coisa que não conseguimos satisfatoriamente foi o apoio da mídia independente para contar sobre a perseguição que os alunos do movimento do IFBA de Porto Seguro sofreram dos órgãos que deveriam nos proteger.

S.I – O IFBA se pronunciou em relação à ocupação de vocês?

E.C.P.S – Oficialmente não, o diretor disse que, como de praxe, iria notificar a Polícia Federal, para deixar avisado que o Campus estaria ocupado. Desde o primeiro dia da ocupação (23/11/16), a internet do campus foi cortada. Esperávamos um posicionamento oficial de todos os diretores, tanto Geral quanto de Ensino em nosso apoio.

 

Imagens: Reprodução

Notícias Relacionadas

Deixe seu comentário

FORTALEÇA A LUTA DA CATEGORIA

Filie-se e conheça as nossas vantagens