Debate no IFBA Salvador

Política em pauta: SINASEFE-IFBA promove debate com diferentes correntes de pensamento

abr 15 2016
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Mais de duzentas pessoas participaram do debate promovido pelo SINASEFE-IFBA, na manhã de ontem (14), no IFBA Campus Salvador. Tendo como tema a conjuntura política no Brasil, o evento contou com convidados de quatro correntes de pensamento: o PSTU, o Movimento Vem Pra Rua, o PSOL e o PT.

Na avaliação do representante o PSTU, Daniel Romero, a alternativa que está presente no parlamento não é para o(a)s trabalhadore(a)s e para a juventude. “Essa polarização do ‘Fora Dilma’ e do ‘Fica Dilma’, independente do resultado da votação do impeachment, vai ser extremamente prejudicial, pois vai se basear em aprofundar o ajuste fiscal, que o governo do PT já está aplicando, e haverá também uma repressão muito forte aos movimentos sociais, às greves dos trabalhadores, particularmente ao movimento do serviço público. Do ponto de vista estratégico, os dois polos apontam para o mesmo projeto. Somos contra o impeachment porque é uma saída reacionária que o parlamento tem dado para a crise política no Brasil e que, inclusive, não vai solucionar este problema. Independente do resultado, a crise política vai se aprofundar e o ajuste fiscal, ela saindo ou ficando, se aprofundar”, alerta Romero.

Ele acredita que é necessário combinar o combate ao ajuste fiscal a eleições gerais. No entanto, eleições com critérios diferentes: com tempo igual de televisão para todo(a)s o(a)s candidato(a)s e sem financiamento privado de campanha, a fim de que o partido do capital, do poder econômico, acabe. “Precisamos construir uma mobilização unitária entre o conjunto da esquerda, com uma greve geral nacional, fazer com que os movimentos sociais que ainda estão defendendo o Governo assumam uma postura de independência e de crítica a ele, a fim de que possamos combater fortemente o ajuste fiscal”, conclui Romero.

O líder do Movimento Vem Pra Rua Bahia, César Leite, afirmou que defende o impeachment, devido aos desvios de dinheiro por parte do Governo Federal, aos prejuízos para a Petrobras e a troca de favores entre o Estado e grandes empresas privadas, entre outros pontos. Para ele, o processo de impeachment possui uma base jurídica bem fundamentada e que a ideia de golpe é apenas marketing. “O Brasil nunca foi liberal na sua essência e aqui nunca teve direita. Não fazemos parte de nenhum partido! É vergonhoso ver um presidente negociando voto para barrar o impeachment. Quem está salvando Dilma é a política e não a Justiça. O juiz Sérgio Moro tem uma coragem enorme e está fazendo um papel belíssimo em busca de justiça. O PT esqueceu sua base (movimentos sociais e sindicais) e viu que era mais vantajoso se associar às grandes empresas. O mais importante, hoje, é a mudança do sistema político no nosso país e, para isso, começaremos tirando a presidente”, opina Leite.

Segundo o membro da Direção Estadual do PSOL, Hamilton Assis, o Brasil está enfrentando diversos problemas, como a crise econômica internacional; a forte concentração de riquezas e de terras, que aumentam as desigualdades no país; o Governo reprimindo os movimentos sociais e utilizando o Estado para isto; as altas concessões nas políticas sociais; a mercantilização da Educação; e a atuação do Congresso mais conservador dos últimos tempos. “O Governo Federal aprofundou alianças com partidos de direita e, juntamente com o Congresso, se tornou um grande balcão de negócios. Há uma crise de governabilidade, com a saída de partidos aliados da base do governo. Além disso, vemos uma direita reacionária, conservadora, que se nutre do Estado patriarcalista e patrimonialista e que não representa os interesses do(a)s trabalhadore(a)s”, acrescenta Assis.

Para ele, é preciso consolidar um projeto alternativo para o país, que, entre outras coisas, enfrente as concentrações de riqueza, faça a reforma agrária, seja um Estado Democrático de Direito e não um Estado burguês. “Precisamos transpor essa polarização do PT e seus aliados versus a direita conservadora. Temos que criar uma terceira alternativa, uma saída da crise pela esquerda. Devemos ir para as ruas em busca da legalidade democrática, contra as privatizações, o genocídio de negro(a)s e indígenas e contra a reforma da Previdência”, aponta Assis.

O representante do PT, José Luiz Ressurreição, ressalta que é preciso lembrar dos avanços sociais alcançados nos mais de dez anos de governo do Partido dos Trabalhadores e que a esquerda precisa se unir pelas bandeiras de luta da classe trabalhadora, “defendendo a democracia no Brasil, pois o que está acontecendo é um golpe”. “O PSDB está há mais de 20 anos no governo de SP e ninguém fala nada. E os escândalos da merenda escolar e do metrô? Por que as investigações não são aceleradas também? Outro ponto a ser destacado é que, em função do Brasil ter aumentado o valor da mão de obra, o capitalismo internacional tem buscado provocar o desemprego para o preço da mão de obra cair”, lembra Ressurreição.

Para o estudante de eletrônica do Campus Salvador Reinaldo Matos, o debate foi importante para abrir os olhos do(a)s aluno(a)s sobre a real situação em que o Brasil se encontra. “O que a Globo mostra não é uma verdade universal, pois ela está sempre do lado dos partidos de direita. Sinto que não há saída. O impeachment é ruim para as classes menos abastadas e a continuação de Dilma no poder também é ruim. O certo é uma terceira alternativa: desmanchar essa polarização de partidos e fazer novas eleições gerais, com oportunidade para que o socialismo cresça no nosso país”, argumenta o estudante.

A estudante de mecânica Joana Bitencourt destaca que, pelo fato do IFBA ser uma escola federal e o ingresso ser a partir do vestibular, o(a) aluno(a) se depara com realidades muito diferentes da que está acostumado(a). “Aí você consegue diferenciar essa polarização e começa a refletir sobre as questões políticas. Um dos momentos mais difíceis é esquecer a sua própria opinião e pensar na coletividade, que o próximo pode ser beneficiado e você não. O debate foi bom para ver que as pessoas começam a pensar em instâncias diferentes, além dos interesses individuais, conseguem uma visão bem clara sobre o tema. Temos que parar para pensar, buscar informações, pesquisar e não ficar apenas nos detendo nas conversas de professore(a)s em sala de aula. No Brasil, não temos uma matéria chamada Política e o(a) aluno(a) acaba tendo visões que o(a)s professore(a)s têm”, avalia Joana.

Sobre o cenário atual, ela diz que tirar o PT do poder não vai acabar com a corrupção, que é bem antiga no Brasil. Para Joana, todos os partidos são corruptos e é necessário ter uma reforma urgente no sistema político.

Na opinião do coordenador geral do SINASEFE-IFBA, Ronaldo Naziazeno, o debate foi amplamente democrático, pois deu espaço para as diversas correntes de pensamento que estão hoje na sociedade se posicionarem. “Além disso, foi importante para demonstrar qual a posição do SINASEFE-IFBA, que é contra o impeachment e contra os ataques, por parte deste governo, aos/às trabalhadore(a)s do Brasil, e que lutamos pelo reforço e pela afirmação da democracia como um valor universal.

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