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Servidores(as) do Campus Eunápolis em perigo

dez 06 2017
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Uma sociedade cada vez mais agressiva, impaciente, intransigente. Não importa o lugar, as manifestações exacerbadas de intolerância têm sido cada vez mais recorrentes e danosas. Vai completar um mês que três servidores(as) do Campus Eunápolis foram ameaçados(as) de morte por estarem participando do Dia Nacional de Lutas e Paralisações (10/11). O agressor foi um motorista que conduzia um estudante para as aulas. Pode fazer quase um mês, mas os(as) servidores(as) envolvidos(as) custam a esquecer o trauma.

“Tendo em vista os ataques do governo golpista aos diretos de trabalhadoras e trabalhadores, aderimos à paralisação das atividades no Campus no dia 10 de novembro, dia de luta e mobilização no processo de construção da Greve Geral, e tiramos, em assembleia, a necessidade de garantirmos o fechamento dos portões e a paralisação das atividades em nosso Campus. Por conta disso, os(as) docentes se organizaram para garantir o fechamento dos portões no início de cada turno, a fim de assegurar esclarecimentos a eventuais desavisados(as) que se dirigissem à unidade naquele dia, mesmo após termos avisado em todos os meios possíveis sobre a nossa paralisação. Tudo correu bem durante todo o dia, mas, no início do turno da noite, por volta das 18h30, um senhor, que acompanhava um estudante do campus, chegou e, na frente do portão, soube por mim e por outros colegas que estavam comigo da paralisação. Daí em diante, fomos violentamente agredidos(as) com diversos impropérios, dirigidos a nós e aos/às servidores(as) públicos(as) em geral, além de ameaças de morte”, relata a professora de História do Campus Eunápolis, Flaviane Nascimento. Após o ocorrido, a categoria aprovou, em assembleia, uma carta de repúdio à violência sofrida pelos(as) trabalhadores(as).

Segundo Flaviane, o manifesto teve como objetivo tornar público o repúdio dos(as) docentes e TAEs do campus à violência e à tentativa de constranger e coagir os(as) manifestantes, “movimento que temos visto crescendo na atual conjuntura brasileira, na qual servidoras e servidores públicos em geral e docentes, em particular, têm sofrido ameaças, desrespeitos e tentativas de constrangimento”. “Estamos muito tristes, não apenas em relação às agressões que sofremos, mas, sobretudo, porque entendemos que estamos vivenciando uma conjuntura de ataque direto à nossa categoria, seja pelo governo golpista, seja por cidadãos comuns que têm sido seduzidos pelo discurso neoliberal e conservador de que somos os inimigos que devem ser combatidos, ou seja, não estamos falando somente de desvalorização dos(as) docentes, estamos falando de desrespeitos e, inclusive, de criminalização, haja vista o famigerado ‘Escola Sem Partido’. Esse tipo de agressão acaba que nos encoraja para a luta, porque percebemos que, do contrário, não haverá dignidade”, destaca a professora.

O mestre em física e professor EBTT no campus Eunápolis, Vitor Damião, lembra que, às vésperas da paralisação, já se ouvia comentários de que professores(as) pretendiam desrespeitar a deliberação coletiva e que teriam, inclusive, informado às suas turmas que dariam suas aulas normalmente, o que não é inédito no Campus Eunápolis. “Isso pode ter provocado a ida do estudante à unidade, contrariando a orientação divulgada aos/às estudantes pelos(as) servidores(as) e mesmo já tendo o dia avançado e confirmando o não funcionamento da instituição. Também por isso, repudiamos a atitude insistentemente desrespeitosa de servidores(as) que insistem em manter atividades, tanto acadêmicas quanto administrativas do campus, em dia de paralisação”, reclama o docente.

Para ele, o sentimento é de desassistência e de falta de proteção em seu local de trabalho, pois a Direção do campus limitou-se a prestar orientações burocráticas aos/às agredidos(as), não se posicionando claramente a favor dos(as) trabalhadores(as), o que deixou a categoria desapontada, uma vez que ela entende que “a gestão teria que demonstrar à comunidade eunapolitana que não tolera qualquer tipo de ameaça contra a dignidade de seus/suas servidores(as). Não houve moção de solidariedade aos/às colegas, fazendo-nos sentir que estamos ‘cada um por si”.

Damião ressalta ainda que, ao denunciar cada atitude de violência, desrespeito e omissão no Campus Eunápolis, os(as) servidores(as) estão cumprindo o seu papel em busca de uma sociedade mais humana, onde os(as) cidadãos/cidadãs tenham acesso a uma educação pública gratuita e de qualidade.

Defesa

O diretor acadêmico do IFBA Eunápolis, Eliseu Miranda, contesta a versão do professor e diz que procurou pessoalmente todos(as) os(as) envolvidos(as), se posicionando solidário ao ocorrido e disponibilizando o setor para o que fosse necessário, “entretanto o fato extrapolou os limites dessa Direção”.

Ações

Os(as) servidores(as) agredidos(as) fizeram o boletim de ocorrência e tomarão as medidas cabíveis. “O que queremos mesmo é fazer o debate público sobre os significados de ações como essa no âmbito de uma instituição pública de ensino e na atual conjuntura. O que queremos é provocar a sociedade eunapolitana, em particular, e brasileira a refletirem sobre a tentativa de mordaça que querem nos impor no intuito de silenciar pessoas que têm denunciado as mazelas sociais e seus responsáveis históricos, a fim de (in)formar cidadãos/cidadãs capazes de lutar por um mundo mais justo. Para isso, estamos pensado atividades formativas e de intervenção, a fim de informar sobre o acontecido e debater os seus significados, dentro e fora do campus”, finaliza Flaviane.

 

Imagem: Reprodução

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